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14.05.2026

S&P 500 rentabilidade anual: análise em reais

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O S&P 500 é um dos índices mais acompanhados do mundo, composto pelas 500 maiores empresas dos Estados Unidos. É a principal referência para medir o desempenho do mercado acionário americano - mas há um detalhe que muda tudo para o investidor brasileiro: o S&P 500 é cotado em dólares, não em reais.

Ou seja, quando você avalia a rentabilidade do índice a partir de quem vive no Brasil e gasta em reais, precisa considerar também a variação cambial entre o real e o dólar.

Neste artigo, mostramos a rentabilidade anual do S&P 500 convertida em reais, ano a ano, e explicamos como o câmbio afeta o retorno final para quem investe a partir do Brasil - usando o ETF IVVB11 como principal referência.

Rentabilidade anual média do S&P 500 em reais

A 31 de dezembro de 2024, o retorno anualizado nominal em reais do S&P 500 desde janeiro de 1995 é de aproximadamente 18,5% ao ano, incluindo o reinvestimento de dividendos e sem cobertura cambial. 1995 é o primeiro ano completo após a criação do Real (1 de julho de 1994), por isso é o ponto de partida mais antigo possível para uma série histórica consistente em reais.

Esse número combina a performance do mercado acionário americano com a forte desvalorização estrutural do real frente ao dólar no período - em 30 anos, R$ 1 investido teria se transformado em cerca de R$ 163.

Na tabela abaixo, você vê o retorno do S&P 500 em reais (sem cobertura cambial) para vários períodos, com fim em 31/12/2024:

Período Retorno acumulado Retorno anualizado
5 anos (2020-2024) +200,8% +24,6%
10 anos (2015-2024) +693,4% +23,0%
15 anos (2010-2024) +2.383% +23,9%
20 anos (2005-2024) +1.563% +15,1%
Desde jan/1995 (30 anos) +16.203% +18,5%

Fonte: cálculos próprios combinando o retorno total do S&P 500 (com dividendos) em USD com a variação da taxa PTAX USD/BRL do Banco Central do Brasil. Os dados anuais completos aparecem mais à frente.

Mais abaixo, exploramos as rentabilidades ano a ano e analisamos o papel do câmbio nesses números.

O S&P 500 e o impacto cambial

Como referido na introdução, o S&P 500 é cotado em dólares norte-americanos (USD). Quando um investidor brasileiro quer avaliar o desempenho do índice na sua moeda local (BRL), é fundamental considerar o impacto das flutuações cambiais.

A variação entre o dólar e o real pode influenciar de forma significativa a rentabilidade de um investimento, independentemente do desempenho das ações subjacentes. Quanto mais curto for o período, mais notório tende a ser esse impacto.

Exemplos práticos:

  • Se o S&P 500 subir 10% no ano em dólares, mas o real valorizar 5% frente ao dólar, a rentabilidade em reais será aproximadamente +5%;
  • Se o S&P 500 subir 10% no ano em dólares e o real desvalorizar 5% frente ao dólar, a rentabilidade em reais será aproximadamente +15%;
  • Se o S&P 500 cair 5% em dólares, mas o real desvalorizar 10%, a rentabilidade em reais pode até ficar positiva, em torno de +5%.

É por isso que muitos brasileiros usam o S&P 500 também como forma de dolarizar o patrimônio. Em anos ruins para a bolsa americana, a desvalorização do real pode suavizar (ou até anular) as perdas em moeda local.

ETFs para avaliar a rentabilidade em reais

ETFs (Exchange Traded Funds) são instrumentos financeiros que replicam índices como o S&P 500 e ficam disponíveis para negociação na bolsa, como qualquer ação. Facilitam o investimento no índice e permitem calcular a rentabilidade anual de forma prática para o investidor brasileiro.

Para este estudo, usamos como referência dois produtos típicos do investidor no Brasil:

  • O iShares S&P 500 FIC FI (IVVB11), negociado na B3 em reais - um ETF sem cobertura cambial;
  • O iShares Core S&P 500 ETF (IVV), negociado em Nova Iorque em dólares - acessível a partir do Brasil via corretoras internacionais (Avenue, Nomad, Inter Invest, Interactive Brokers).

Ambos replicam o mesmo índice. A diferença principal está na moeda de negociação e na forma como o retorno é entregue ao investidor brasileiro.

ETFs sem e com cobertura cambial: qual é a diferença?

Sem cobertura cambial

Tanto o IVVB11 (em reais, na B3) como o IVV (em dólares, em Nova Iorque) são ETFs sem cobertura cambial. Ou seja, a rentabilidade depende tanto do desempenho das ações do S&P 500 quanto da variação da taxa de câmbio USD/BRL.

  • Vantagem: custo mais baixo e exposição direta ao dólar - funciona como proteção contra a desvalorização do real.
  • Desvantagem: maior volatilidade, porque o câmbio adiciona oscilações ao retorno.

Com cobertura cambial

Existem também ETFs e fundos com cobertura cambial (hedge), que eliminam o efeito do câmbio e isolam apenas o retorno do índice em dólares, convertido para reais a uma taxa fixada. Deste modo, o retorno reflete apenas o desempenho das empresas do S&P 500, independentemente das oscilações do dólar.

  • Vantagem: maior previsibilidade do retorno em relação ao índice original.
  • Desvantagem: custo superior (os instrumentos de hedge não são grátis) e perda da proteção natural contra a desvalorização do real.

No Brasil, a oferta de ETFs com cobertura cambial para o S&P 500 ainda é limitada. A maioria dos investidores brasileiros opta por produtos sem hedge - como o IVVB11 ou a compra direta do IVV/VOO via corretora internacional - justamente para capturar o efeito da dolarização do patrimônio.

Rentabilidade anual do S&P 500 (em reais)

Na tabela seguinte, apresentamos a rentabilidade anual do S&P 500 em dólares e em reais (sem cobertura cambial), ano a ano, desde 2010. As colunas são:

  • USD: retorno total do S&P 500 em dólares (com reinvestimento de dividendos);
  • USD/BRL: variação da PTAX no ano (% positivo = dólar subiu frente ao real);
  • BRL: retorno combinado em reais, equivalente ao que um ETF sem hedge como o IVVB11 tende a entregar.
Ano USD (S&P 500 TR) USD/BRL BRL (sem hedge)
2024 +25,02% +27,15% +58,96%
2023 +26,29% -7,24% +17,15%
2022 -18,11% -6,53% -23,46%
2021 +28,71% +7,39% +38,23%
2020 +18,40% +28,93% +52,64%
2019 +31,49% +4,02% +36,80%
2018 -4,38% +17,13% +12,00%
2017 +21,83% +1,50% +23,66%
2016 +11,96% -16,54% -6,56%
2015 +1,38% +47,01% +49,04%
2014 +13,69% +13,39% +28,91%
2013 +32,39% +14,64% +51,79%
2012 +16,00% +8,94% +26,37%
2011 +2,11% +12,58% +14,98%
2010 +15,06% -4,31% +10,10%

Fontes: retorno total do S&P 500 (com dividendos) via S&P Dow Jones Indices e Yahoo Finance (^SP500TR); variação da PTAX USD/BRL via Banco Central do Brasil. Retorno em BRL calculado por (1 + retorno USD) × (1 + variação cambial) - 1.

O padrão é claro: em anos de forte depreciação do real (2015, 2020, 2024), o retorno em reais supera com folga o retorno em dólares. Em anos de valorização do real (2016, 2023), o retorno em reais fica bem abaixo - ou até fica negativo, mesmo com o índice subindo em dólares.

IVVB11 vs. IVV: qual escolher?

Do ponto de vista do resultado, os dois entregam exposição ao S&P 500 + variação cambial. Na prática, há diferenças que vale a pena conhecer:

  • Taxa de administração: 0,23% ao ano no IVVB11 vs. 0,03% ao ano no IVV;
  • Dividendos: o IVVB11 é acumulativo (reinveste automaticamente). O IVV distribui trimestralmente - o investidor precisa reinvestir por conta;
  • Custos de compra/venda: no IVVB11 você paga apenas corretagem na B3 (quase sempre zero). No IVV, é preciso somar spread cambial, IOF e corretagem internacional;
  • Imposto de Renda: IVVB11 é tributado como ETF de renda variável no Brasil (15% sobre o lucro na venda, sem isenção de R$ 20 mil). Para o IVV comprado lá fora, vale a regra de ganho de capital em moeda estrangeira, com isenção até R$ 35 mil/mês.

Para quem começa e quer simplicidade, o IVVB11 costuma ser o caminho mais direto. Quem já movimenta valores maiores e tem conta em corretora internacional pode preferir o IVV ou o VOO, pela taxa mais baixa.

Conclusão

Analisar a rentabilidade anual do S&P 500 a partir do Brasil exige atenção à moeda de cotação e ao impacto do câmbio. Desde janeiro de 1995 (primeiro ano completo após a criação do Real), o retorno anualizado em reais ficou próximo de 18,5% ao ano - um multiplicador de cerca de 163x o capital investido em 30 anos. Nos últimos 15 anos, esse ritmo foi ainda mais forte, superando 23% ao ano, impulsionado pela valorização do dólar e pelo bull market americano.

A escolha entre um ETF sem hedge (IVVB11, IVV, VOO) e um produto com cobertura cambial depende do seu objetivo: quem quer dolarizar patrimônio deve ficar sem hedge; quem quer apenas capturar o retorno do índice, isolado do câmbio, pode preferir com hedge. Seja qual for a escolha, o mais importante continua a ser o horizonte de tempo: o S&P 500 recompensa quem persiste no longo prazo.

Aviso: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Capital em risco. Antes de investir, faça a sua própria análise e, se necessário, consulte um profissional certificado junto à CVM.

Autor
O Franklin é formado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimônios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre educação financeira. É o nosso Warren Buffett - embora mais jovem.